sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Estócrita


Rodrigo C. Vargas

Não aconteceu uma, ou duas vezes. A cena se repete. Alguém jogando toda a culpa no Estado, em sua forma vertical, pelos atrasos e excessos. Será que não há nada de nós nesse monstro?

O Estado é hipócrita. Assim como nós, ele se permite transgredir as regras quando convém. Um bom exemplo é quando tomamos um empréstimo bancário. Se por qualquer razão não conseguimos pagar, nossos nomes vão parar numa lista de inadimplentes. Qualquer ação no mercado é impedida. Personae non gratae. Agora, quando um banco não consegue honrar seus compromissos, o Estado atua, em nome de uma economia saudável. O governo Lula assinou Medida Provisória, nº 442, que dá liberdade ao Conselho Monetário Nacional de definir o dinheiro que vai sair do Banco Central para comprar carteiras de crédito de bancos e instituições financeiras que estiverem em crise. Essas regras se estabelecem o tempo todo em nossas vidas. Quando cobramos uma saúde eficaz, e jogamos o lixo pela janela do carro. No momento em que amaldiçoamos o Estado, protestando por uma educação de qualidade, e desembolsamos uma fortuna para que colégios particulares preparem nossos filhos para o vestibular, e não para a vida. Segurança? Alguém sabe pra onde vai o dinheiro dos impostos? Você sabe com quem está falando? Tudo é reflexo do que somos.

Portanto, o mundo e seu conceito democrático não passam de uma grande piada azul. Concordo com Gandhi, você deve ser a mudança que quer ver no mundo. A dificuldade é enxergar que na terra, cabe muito mais que apenas dois pés. Pra iluminar a sombra de Jung, primeiro é preciso encará-la, entendê-la, e por último reprocessá-la. Estamos acostumados a pecar, sentir culpa, confessar, se redimir, e pronto! Estamos livres para outra. A conseqüência breve se torna inútil quando Deus está simbolicamente em outro plano. Uma escapadinha não faz mal. O bem e o mal, bipolarização miserável.

Tudo é amor! Não esse vendido pela propaganda de desodorante. É o respeito pelas diferenças, ou melhor, que diferença? O outro existe, e sem ele nada é, apenas está. É algo que não se pode tomar como individual, único, restrito e singular. Pluralizar, sim. Estamos em plena crise do dinheiro, abstrato por convenção. Criado para dar valor a tudo, fogo amigo. Quanto vale a vida? Esse preço é pago naquilo que menos exerce influência em nossa trajetória, mas debaixo da lupa, financia a crueldade de nunca sabermos realmente o que estamos fazendo aqui.

Anexo: A História das Coisas


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