segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Idiotas, sirvam-se!

(Jacques Louis David)

Rodrigo C. Vargas

No Século V a.C. da Grécia clássica de Atenas os homens livres se dedicavam à vida publica decidindo sobre os interesses coletivos reunidos em assembléia no Àgora. Nem todos participavam. Aqueles que negavam o direito cuidavam apenas dos próprios assuntos, ignorando o interesse coletivo, abandonando as assembléias. Esses homens eram chamados de Idiotas. O termo deriva do grego idiótes e refere-se ao homem particular, ao homem privado, em oposição ao homem de Estado, ao homem público. Assim "privado" e "idiota" são quase sinônimos. Idiota é aquele que não sai de si, que age como se tudo de que desfruta proviesse dele mesmo e como se o público devesse estar a seu serviço. Reconhece alguém? Platão apontou o abandono da vida pública como uma das causas da decadência de Atenas e que isso teria contribuído significativamente para a derrota para Esparta na guerra do Peloponeso. Milênios depois essa prática persiste e a guerra que estamos perdendo não é contra nenhum povo estrangeiro. Estamos sendo vencidos pelo espelho.

2 comentários:

Ham disse...

Sem querer ser insistente, mas já sendo: mais um motivo para ler e assistir ao Ensaio sobre a Cegueira. Feliz o comentário do Rodrigo a respeito do espelho. É exatamente disso que se trata. Veja-se. Perceba-se no filme. Você faz aquilo que os personagens da fábula fazem. Somos nós retratados naquele estado patético que querermos ser mais poderosos que o vizinho.

Anônimo disse...

Não podemos considerar o espelho inimigo, o reflexo representa nossa imagem e auto-imagem, a luta entre ser e o aparentar ser nada mais é do que o caminho mais longo para a trilha da humildade, para o reconhecimento de que nada podemos fazer sozinhos e que o nosso saber perante o saber universal nada é uma gota d’água no oceano. Entre os gregos apontada de forma enfática por Sócrates em sua frase "só sei que nada sei", como um autêntico sábio ele não superestimou sua imagem. Como somos vistos e como nos vemos, o ser humano é bem mais profundo do que o eu ou massa podem enxergar. Se considerarmos o espelho nosso inimigo, perdemos ao ganhar e ao perder!